{"id":3294,"date":"2020-05-01T12:17:03","date_gmt":"2020-05-01T15:17:03","guid":{"rendered":"https:\/\/memoriaferroviaria.rosana.unesp.br\/?p=3294"},"modified":"2020-05-01T18:11:36","modified_gmt":"2020-05-01T21:11:36","slug":"organizacao-luta-e-conquista-de-direitos-dos-trabalhadores","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/memoriaferroviaria.assis.unesp.br\/?p=3294","title":{"rendered":"Organiza\u00e7\u00e3o, luta e conquista de direitos dos trabalhadores."},"content":{"rendered":"\n<p class=\"has-text-align-center\">O Projeto Mem\u00f3ria Ferrovi\u00e1ria comemora o 1 de maio \u201cdia do trabalho\u201d e \u201cdia do ferrovi\u00e1rio\u201d compartilhando um texto sobre a organiza\u00e7\u00e3o, luta e conquista de direitos dos trabalhadores realizado por Tamires Sarcado Lico.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"682\" src=\"https:\/\/memoriaferroviaria.rosana.unesp.br\/wp-content\/uploads\/2020\/05\/Trab-Rio-Claro-PEREZ-1-1024x682.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-3297\" srcset=\"https:\/\/memoriaferroviaria.assis.unesp.br\/wp-content\/uploads\/2020\/05\/Trab-Rio-Claro-PEREZ-1-1024x682.jpg 1024w, https:\/\/memoriaferroviaria.assis.unesp.br\/wp-content\/uploads\/2020\/05\/Trab-Rio-Claro-PEREZ-1-300x200.jpg 300w, https:\/\/memoriaferroviaria.assis.unesp.br\/wp-content\/uploads\/2020\/05\/Trab-Rio-Claro-PEREZ-1-768x512.jpg 768w, https:\/\/memoriaferroviaria.assis.unesp.br\/wp-content\/uploads\/2020\/05\/Trab-Rio-Claro-PEREZ-1-1536x1023.jpg 1536w, https:\/\/memoriaferroviaria.assis.unesp.br\/wp-content\/uploads\/2020\/05\/Trab-Rio-Claro-PEREZ-1-425x283.jpg 425w, https:\/\/memoriaferroviaria.assis.unesp.br\/wp-content\/uploads\/2020\/05\/Trab-Rio-Claro-PEREZ-1.jpg 1678w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><figcaption> Trabalhadores da oficina de Rio Claro. Fonte: Album Illustrado da Companhia Paulista de Estradas de Ferro, de Filem\u00f3n Perez, publicado em 1918. <\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-left\">O dia primeiro de maio marca a luta dos trabalhadores por direitos e melhores condi\u00e7\u00f5es de vida. \u00c9 uma data comemorada em mais de oitenta pa\u00edses, incluindo o Brasil. A escolha da comemora\u00e7\u00e3o pela luta dos trabalhadores n\u00e3o \u00e9 aleat\u00f3ria, ela faz refer\u00eancia ao dia 1\u00ba de maio de 1886, quando trabalhadores do Estados Unidos se organizaram e fizeram reivindica\u00e7\u00f5es com a finalidade da redu\u00e7\u00e3o da carga hor\u00e1ria de trabalho para 8 horas di\u00e1rias. Entretanto, esta exig\u00eancia seria atendida oficialmente somente no in\u00edcio do s\u00e9culo XX. A partir de ent\u00e3o, tal data ficou marcada pela ocorr\u00eancia de movimentos reivindicat\u00f3rios em v\u00e1rios pa\u00edses da Europa. Hoje, al\u00e9m de ser considerado um feriado, em escala internacional, o dia 1\u00ba de maio tamb\u00e9m \u00e9 um momento no qual diversos grupos de trabalhadores manifestam suas lutas por direitos trabalhistas, uma vez, que a defesa da garantia dos direitos sociais conquistados e adquiridos permanece sendo uma pauta necess\u00e1ria. Apesar da data ter surgido por movimentos trabalhistas norte-americanos, os Estados Unidos comemoram o dia do trabalho apenas na primeira segunda feira de setembro.<\/p>\n\n\n\n<p>\tCumpre lembrar que, no s\u00e9culo XIX e nas primeiras d\u00e9cadas do s\u00e9culo XX, a carga hor\u00e1ria de trabalho em numerosos pa\u00edses girava em torno de quatorze a dezesseis horas di\u00e1rias, incluindo o trabalhado infantil, o feminino e a jornada noturna. Mulheres e crian\u00e7as, mal pagas e exploradas, eram expostas a situa\u00e7\u00f5es de grande vulnerabilidade como os riscos sofridos pelas mulheres ao transitarem em hor\u00e1rios de pouca luz e a falta de acesso das crian\u00e7as \u00e0s escolas, ao serem submetidas, precocemente, a jornadas exaustivas de trabalho. Tais fen\u00f4menos desencadearam uma quantidade expressiva de movimentos que tiveram como pauta de luta pela acessibilidade das crian\u00e7as a educa\u00e7\u00e3o e o fim da jornada noturna para mulheres.<\/p>\n\n\n\n<p>A luta pela redu\u00e7\u00e3o da carga hor\u00e1ria de trabalho teve suas peculiaridades em cada pa\u00eds. Entretanto, \u00e9 comum entre os trabalhadores do mundo a caracter\u00edstica de n\u00e3o aceitar passivamente as imposi\u00e7\u00f5es desumanas de trabalho as quais eram e ainda s\u00e3o submetidos. No Brasil, os ferrovi\u00e1rios se constitu\u00edram como uma categoria de trabalhadores pioneira na luta pela redu\u00e7\u00e3o da jornada para 8 horas de trabalho. A greve dos trabalhadores da Companhia Paulista de Estradas de Ferro, ocorrida em 1906, resultou em vit\u00f3rias importantes para a conquista de direitos dos trabalhadores brasileiros, como a legaliza\u00e7\u00e3o dos sindicatos de trabalhadores da ind\u00fastria e do com\u00e9rcio e a regulamenta\u00e7\u00e3o da jornada de trabalho de oito horas. Apesar de n\u00e3o adotada em todo pa\u00eds, as companhias ferrovi\u00e1rias de S\u00e3o Paulo e algumas ind\u00fastrias aplicaram as 08 horas di\u00e1rias sem que houvesse redu\u00e7\u00e3o dos sal\u00e1rios dos trabalhadores.<\/p>\n\n\n\n<p>A greve de 1906 teve uma dura\u00e7\u00e3o de 16 dias. A princ\u00edpio, os pr\u00f3prios jornais e a Companhia acreditavam tratar-se de uma paralisa\u00e7\u00e3o passageira. Eles supunham que os trabalhadores logo perceberiam o equ\u00edvoco de fazerem uma parede e voltariam \u00e0s atividades. Entretanto, o movimento se mostrou coeso e organizado, cuja articula\u00e7\u00e3o trouxe \u00e0 tona o protagonismo da classe trabalhadora no que se refere \u00e0s reivindica\u00e7\u00f5es de melhores condi\u00e7\u00f5es de trabalho. \u00c9 importante ressaltar que, n\u00e3o somente as condi\u00e7\u00f5es prec\u00e1rias de trabalho foram questionadas, mas tamb\u00e9m o relacionamento hier\u00e1rquico entre os superiores (chefes, diretores) e os oper\u00e1rios. Os trabalhadores da Companhia Paulista de Estrada de Ferro mostraram que n\u00e3o aceitariam uma subordina\u00e7\u00e3o a quem n\u00e3o os tratasse com respeito. Dessa forma, a atua\u00e7\u00e3o dos ferrovi\u00e1rios foi de suma import\u00e2ncia para a luta e conquista de direito dos trabalhadores.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>A partir da d\u00e9cada de 1930, com a ascens\u00e3o de Get\u00falio Vargas ao poder, o Estado tomou medidas de car\u00e1ter nacional para reunir os direitos j\u00e1 conquistados e tamb\u00e9m novos itens em um sistema amplo e estrutural, ao agir, em parte, como uma resposta \u00e0 press\u00e3o da classe trabalhadora na Primeira Rep\u00fablica. Assim, no dia 1\u00ba de maio de 1943, Vargas sancionou a Consolida\u00e7\u00e3o das Leis do Trabalho (CLT), garantindo a n\u00edvel federal o direito dos trabalhadores \u00e0 jornada de 08 horas di\u00e1rias, ao repouso semanal, \u00e0s f\u00e9rias, entre muitos outros dispositivos. A maioria desses preceitos foram conquistados pelos ferrovi\u00e1rios antes da oficializa\u00e7\u00e3o da Consolida\u00e7\u00e3o. Nesse sentido, pode-se afirmar que a CLT foi uma conquista coletiva, na medida em que ela reflete a luta e conquista dos trabalhadores brasileiros por direitos capazes de garantir a dignidade e as condi\u00e7\u00f5es m\u00ednimas de trabalho.<\/p>\n\n\n\n<p> <a href=\"http:\/\/lattes.cnpq.br\/4605556737679042\">Tamires Sacardo Lico<\/a> <\/p>\n\n\n\n<p> &nbsp;LICO, Tamires Sacardo. Organiza\u00e7\u00e3o, luta e conquista de direitos dos trabalhadores.&nbsp;<strong>Projeto Mem\u00f3ria ferrovi\u00e1ria<\/strong>, 2020.  Dispon\u00edvel em  <a href=\"https:\/\/memoriaferroviaria.rosana.unesp.br\/?p=3294\">https:\/\/memoriaferroviaria.rosana.unesp.br\/?p=3294<\/a>. <\/p>\n\n\n\n<p><br><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O Projeto Mem\u00f3ria Ferrovi\u00e1ria comemora o 1 de maio \u201cdia do trabalho\u201d e \u201cdia do ferrovi\u00e1rio\u201d compartilhando um texto sobre a organiza\u00e7\u00e3o, luta e conquista de direitos dos trabalhadores realizado por Tamires Sarcado Lico. 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