{"id":3686,"date":"2020-07-01T11:39:06","date_gmt":"2020-07-01T14:39:06","guid":{"rendered":"https:\/\/memoriaferroviaria.rosana.unesp.br\/?p=3686"},"modified":"2020-07-01T13:52:09","modified_gmt":"2020-07-01T16:52:09","slug":"13o-aniversario-do-projeto-memoria-ferroviaria","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/memoriaferroviaria.assis.unesp.br\/?p=3686","title":{"rendered":"13\u00ba Anivers\u00e1rio do projeto Memoria Ferrovi\u00e1ria"},"content":{"rendered":"\n<p style=\"font-size:18px\"> Em comemora\u00e7\u00e3o ao 13<sup>o<\/sup> anivers\u00e1rio do projeto Mem\u00f3ria Ferrovi\u00e1ria, realizamos uma entrevista com o Prof. Dr. Eduardo Romero de Oliveira, coordenador do grupo, onde este comenta sobre o come\u00e7o do projeto, sua atua\u00e7\u00e3o e os futuros planos. <\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"687\" src=\"https:\/\/memoriaferroviaria.rosana.unesp.br\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/Lev-SIG_P.Epita\u0301cio_2007_Andreia-Nunes-1024x687.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-3687\" srcset=\"https:\/\/memoriaferroviaria.assis.unesp.br\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/Lev-SIG_P.Epita\u0301cio_2007_Andreia-Nunes-1024x687.jpg 1024w, https:\/\/memoriaferroviaria.assis.unesp.br\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/Lev-SIG_P.Epita\u0301cio_2007_Andreia-Nunes-300x201.jpg 300w, https:\/\/memoriaferroviaria.assis.unesp.br\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/Lev-SIG_P.Epita\u0301cio_2007_Andreia-Nunes-768x516.jpg 768w, https:\/\/memoriaferroviaria.assis.unesp.br\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/Lev-SIG_P.Epita\u0301cio_2007_Andreia-Nunes-1536x1031.jpg 1536w, https:\/\/memoriaferroviaria.assis.unesp.br\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/Lev-SIG_P.Epita\u0301cio_2007_Andreia-Nunes-2048x1375.jpg 2048w, https:\/\/memoriaferroviaria.assis.unesp.br\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/Lev-SIG_P.Epita\u0301cio_2007_Andreia-Nunes-425x285.jpg 425w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><figcaption> Registro de atividade de levantamento na cidade de Presidente Epit\u00e1cio, em 2007.  Fonte: Acervo pessoal de Eduardo Romero de Oliveira <\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p style=\"font-size:18px\">Sobre o come\u00e7o do\nprojeto ele comenta que \u201c<em>Tinha realizados\ndois projetos em meados dos anos 2000: em 2006, de pesquisa hist\u00f3rica sobre\nmunic\u00edpios atingidos pela forma\u00e7\u00e3o do lago da barragem da Usina Porto Primavera\n(Rosana, SP); e outro de invent\u00e1rio do patrim\u00f4nio industrial no extremo oeste\npaulista (2007-9). Os resultados nos apontaram a import\u00e2ncia das ferrovias para\nforma\u00e7\u00e3o dos munic\u00edpios da regi\u00e3o, assim como a dificuldade de encontrar\ndocumenta\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica a respeito desse processo. Elaboramos ent\u00e3o um terceiro\nprojeto que, entre seus objetivos, pretendia inventariar a documenta\u00e7\u00e3o das\nempresas ferrovi\u00e1rias em S\u00e3o Paulo, que se iniciou em 2009. Foi este projeto\nque iniciou o ac\u00famulo de referencias dispon\u00edveis hoje na base de dados\n\u201cBiblioteca Tem\u00e1tica Mem\u00f3ria Ferrovi\u00e1ria<\/em>\u201d.&nbsp;\n<\/p>\n\n\n\n<p style=\"font-size:18px\">Segundo Oliveira, o\nnome \u2018Mem\u00f3ria Ferrovi\u00e1ria\u2019 foi escolhido em 2009 porque \u201c<em>se considerou a oportunidade de estudar diversas quest\u00f5es gerais sobre\na preserva\u00e7\u00e3o do patrim\u00f4nio cultural ou industrial a partir dos estudos sobre\nprote\u00e7\u00e3o de bens ferrovi\u00e1rios. O t\u00edtulo remetia \u00e0 rec\u00e9m-aprovada Lei n\u00ba\n11.483\/2007 sobre revitaliza\u00e7\u00e3o do setor ferrovi\u00e1rio no Brasil, que encerra a\nliquida\u00e7\u00e3o da Rede Ferrovi\u00e1ria Federal (empresa mista que reunia a malha\nferrovi\u00e1ria brasileira em controle do Estado at\u00e9 1992) e&nbsp; transferia os bens operacionais e n\u00e3o\noperacionais para outros \u00f3rg\u00e3os e, em particular, concedia ao \u00f3rg\u00e3o nacional de\npatrim\u00f4nio hist\u00f3rico (Instituto do Patrim\u00f4nio Hist\u00f3rico e Art\u00edstico Nacional,\nIPHAN) o encargo de administrar bens ferrovi\u00e1rios de valor hist\u00f3rico, art\u00edstico\ne cultural (art. 9). Isso criava uma situa\u00e7\u00e3o complicada para \u00f3rg\u00e3o, tanto\nporque tinha de dar conta de identificar e avaliar quais bens da empresa teriam\nvalor hist\u00f3rico, quanto criava uma nova fun\u00e7\u00e3o ao \u00f3rg\u00e3o (administrar bens\nferrovi\u00e1rios). A pr\u00f3pria situa\u00e7\u00e3o da preserva\u00e7\u00e3o de documenta\u00e7\u00e3o de empresa\n(p\u00fablica) era uma quest\u00e3o tamb\u00e9m complicada. O processo de privatiza\u00e7\u00e3o\npreocupou-se por discriminar responsabilidade apenas aos bens operacionais das\nferrovias, n\u00e3o disp\u00f4s nada a respeito da conserva\u00e7\u00e3o de bens ou documenta\u00e7\u00e3o\nhist\u00f3rica \u2013 diferente do que aconteceu com a privatiza\u00e7\u00e3o das empresas p\u00fablicas\npaulistas do setor el\u00e9trico, que resultou na cria\u00e7\u00e3o da Funda\u00e7\u00e3o Energia e\nSaneamento.\u201d<\/em><\/p>\n\n\n\n<p style=\"font-size:18px\">Assim, quando\nquestionado sobre o objetivo e atua\u00e7\u00e3o do grupo de pesquisa ele comenta que \u201c<em>Ao longo desses anos temos realizado\npesquisas sobre o patrim\u00f4nio industrial ferrovi\u00e1rio que se consolidaram como\nobjetivos de longo prazo do projeto: documentar testemunhos materiais e\nimateriais do transporte ferrovi\u00e1rio; conhecer melhor a \u00e9poca hist\u00f3rica em que\nse desenvolveram estas empresas ferrovi\u00e1rias e seu funcionamento; experimentar\nnovas tecnologias aplicadas \u00e0 preserva\u00e7\u00e3o do patrim\u00f4nio industrial; Buscar\nformas de an\u00e1lise interdisciplinares sobre os bens ferrovi\u00e1rios, em vista de\nrefletir sobre as atuais estrat\u00e9gias de preserva\u00e7\u00e3o patrimonial, no \u00e2mbito\nnacional e internacional<\/em>\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p style=\"font-size:18px\">Diante do car\u00e1ter multidisciplinar do\ngrupo (abrangendo \u00e1reas como pedagogia, arquitetura, turismo, hist\u00f3ria,\narqueologia e outras), Oliveira comenta que \u201c<em>\u00c9 um desafio e tamb\u00e9m um est\u00edmulo muito grande. Desde minhas pesquisas\nde p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o tenho me dedicado a temas e\/ou abordagens em fronteiras de\n\u00e1reas de conhecimento: imagem (ilustra\u00e7\u00f5es em revistas) e hist\u00f3ria pol\u00edtica;\nhist\u00f3ria da cidade, espa\u00e7o urbano e pobreza; pr\u00e1ticas culturais, direito e\nteoria pol\u00edtica; mem\u00f3ria de comunidades ribeirinhas e hist\u00f3ria oral;\ntransporte, hist\u00f3ria da cidade e cartografia. Pesquisa e aprender em equipe;\nestudar um objeto sob diferentes perspectivas metodol\u00f3gicas, inclusive\ncontrapondo ou ampliando uma em fun\u00e7\u00e3o da outra: isso me instiga mais a\naprender sobre teorias que nos permitiria explicar a sociedade atual. Assim, o\nprojeto de uma \u00e1rea do conhecimento, os problemas dessa pesquisa e suas ideias,\nestimula a novos olhares na minha \u00e1rea; e depois quando confronto com um\nterceiro. Essa contraposi\u00e7\u00e3o me parece estimulante, pois exige mais da sua\nreflex\u00e3o, que justifique porque suas pr\u00f3prias respostas lhe s\u00e3o pertinentes, ou\npode lhe sugerir novas perspectivas aos seus problemas. Trabalhar com a equipe\n\u00e9 coordenar ideias diferentes, solu\u00e7\u00f5es sobre um mesmo assunto. Acredito que\nquanto mais homog\u00eaneas as ideias, mais pobre as reflex\u00f5es e menor as\npossibilidades de explicar os fen\u00f4menos sociais. Portanto eu tento provocar a\ndiversidade de vis\u00f5es, limitada apenas pelo rigor cient\u00edfico e pelo respeito ao\ntrabalho do outro\u201d<\/em>.<\/p>\n\n\n\n<p style=\"font-size:18px\">Ele atribui a expressiva publica\u00e7\u00e3o acad\u00eamica do projeto Mem\u00f3ria Ferrovi\u00e1ria\naos pesquisadores, docentes e discentes, que tem formado parte do projeto ao\nlongo dos anos: <em>\u201cMinha fun\u00e7\u00e3o tem sido organizar, articular suas pesquisas e\ndirecion\u00e1-los para um melhor resultado conjunto. A publica\u00e7\u00e3o tem de ser vista\ncom a difus\u00e3o p\u00fablica de resultados e reflex\u00f5es produzidas pela equipe.\nInclusive porque temos sido financiados com recursos p\u00fablicos, <\/em><em>pesquisamos e\nutilizamos de uma infraestrutura p\u00fablica (a UNESP), portanto \u00e9 mais do que\njusto que fa\u00e7amos esta devolutiva cient\u00edfica para a sociedade \u2013 entenda-se por\npesquisadores acad\u00eamicos, \u00f3rg\u00e3os p\u00fablicos de preserva\u00e7\u00e3o, dos agentes respons\u00e1veis\npelos bens patrimoniais e demais interessados na preserva\u00e7\u00e3o do patrim\u00f4nio\ncultural e industrial\u201d.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p style=\"font-size:18px\">Sobre planos\nfuturos do projeto ele diz: \u201c<em>os objetivos do grupo de estudos foram se consolidando,\nampliando a cada projeto de pesquisa realizado. Ent\u00e3o os focos em registro de\nbens industriais (ou produ\u00e7\u00e3o de documenta\u00e7\u00e3o sobre), reflex\u00e3o sobre pol\u00edticas\np\u00fablicas patrimoniais e possibilidades te\u00f3rico-metodol\u00f3gicas v\u00e3o continuar\npresentes. Contudo, a din\u00e2mica do grupo tamb\u00e9m influi nesse planejamento (quem\nparticipa, quais quest\u00f5es coloca, quais projetos individuais s\u00e3o realizados,\nquais resultados ou reflex\u00f5es cada membro coloca para os demais); a\ncontribui\u00e7\u00e3o de cada um, quanta energia coloca no grupo, tamb\u00e9m influi nos\nplanos. <\/em><\/p>\n\n\n\n<p style=\"font-size:18px\"><em>O \u00faltimo conjunto de investiga\u00e7\u00f5es \u2013 no escopo do projeto atualmente vigente (2019-2021) \u2013 fez com que nos dediquemos a estudar estrat\u00e9gias de difus\u00e3o patrimonial (forma\u00e7\u00e3o de recursos humanos, educa\u00e7\u00e3o patrimonial) e de abordagens participativas. Est\u00e3o surgindo mais possibilidades do que imaginava quando propus; al\u00e9m disso, o contexto da pandemia COVID-19 tem impedido avan\u00e7ar em alguns aspectos, mas o contexto sociopol\u00edtico real\u00e7ou a import\u00e2ncia de outros (participa\u00e7\u00e3o comunit\u00e1ria e direitos culturais). Acredito que essas possibilidades dar\u00e3o o tom dos pr\u00f3ximos anos\u201d.<\/em> <\/p>\n\n\n\n<p>Entrevistado: Prof. Dr. <a href=\"http:\/\/lattes.cnpq.br\/6385564645445607\">Eduardo Romeiro de Oliveira<\/a> <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em comemora\u00e7\u00e3o ao 13o anivers\u00e1rio do projeto Mem\u00f3ria Ferrovi\u00e1ria, realizamos uma entrevista com o Prof. Dr. Eduardo Romero de Oliveira, coordenador do grupo, onde este comenta sobre o come\u00e7o do projeto, sua atua\u00e7\u00e3o e os futuros planos. 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