{"id":3837,"date":"2020-09-14T15:17:11","date_gmt":"2020-09-14T18:17:11","guid":{"rendered":"https:\/\/memoriaferroviaria.rosana.unesp.br\/?p=3837"},"modified":"2020-09-14T15:17:30","modified_gmt":"2020-09-14T18:17:30","slug":"relacao-entre-comunidade-e-o-patrimonio-o-discurso-e-a-pratica","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/memoriaferroviaria.assis.unesp.br\/?p=3837","title":{"rendered":"Rela\u00e7\u00e3o entre comunidade e o patrim\u00f4nio: o discurso e a pr\u00e1tica"},"content":{"rendered":"\n<p style=\"font-size:18px\">O tema comunidade e patrim\u00f4nio contempla alguns contextos interessantes de se compreender e de discutir. Discursos conhecidos como tradicionais amplamente abordados em normativas e diretrizes de preserva\u00e7\u00e3o e trato patrimonial permitem reflex\u00f5es. A princ\u00edpio, como aponta Cordeiro (2011) a base para emergir discuss\u00f5es e posteriormente pr\u00e1ticas de preserva\u00e7\u00e3o do Patrim\u00f4nio Cultural se deu num panorama de 2\u00aa Guerra Mundial, haja vista a destrui\u00e7\u00e3o dos elementos materiais como f\u00e1bricas, ind\u00fastrias, pr\u00e9dios hist\u00f3ricos, etc. ocasionada pelos bombardeios.<\/p>\n\n\n\n<p style=\"font-size:18px\">Por esse cen\u00e1rio \u00e9 intensificada a\npreocupa\u00e7\u00e3o em manter o patrim\u00f4nio cultural mundial nos lugares acometidos com\nguerras e tamb\u00e9m no mundo p\u00f3s-guerra. Surgem ent\u00e3o documentos chamados de\n\u201cCartas Patrimoniais\u201d, que possuem diretrizes\npara se preservar o patrim\u00f4nio. A caracter\u00edstica material que \u00e9 descrita como\nprincipal na fila de preserva\u00e7\u00e3o, nesse contexto, indica a n\u00e3o participa\u00e7\u00e3o da\ncomunidade em assuntos patrimoniais.<\/p>\n\n\n\n<p style=\"font-size:18px\">A Carta de Veneza (ICOMOS, 1964),\nanalogamente, pondera o preservacionismo apoiado nos crit\u00e9rios hist\u00f3ricos,\nest\u00e9ticos e arquitet\u00f4nicos direcionados por um conjunto de especialistas que\ncompreendem o patrim\u00f4nio de modo distinto da comunidade. Ao longo dos anos\noutros documentos foram criados tangenciando discuss\u00f5es de preserva\u00e7\u00e3o patrimonial.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p style=\"font-size:18px\">Percebe-se a evolu\u00e7\u00e3o te\u00f3rica ao\ninserir a pertin\u00eancia da participa\u00e7\u00e3o e entendimento da rela\u00e7\u00e3o da comunidade\nnos bens protegidos (Declara\u00e7\u00e3o de Amsterdam \u2013 Conselho da Europa, 1975 \u2013;\nCarta de Washington (ICOMOS, 1987), contudo, o foco de orienta\u00e7\u00e3o dessas cartas\nn\u00e3o \u00e9 enfatizar a rela\u00e7\u00e3o da comunidade e o patrim\u00f4nio como assunto essencial\ne\/ou principal \u00e0 preserva\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p style=\"font-size:18px\">&nbsp;Diferentemente das cartas\nanteriormente utilizadas nas pr\u00e1ticas de gerenciamento patrimonial, a Carta de\nBurra (ICOMOS-Austr\u00e1lia, 1999) e Princ\u00edpios de la Valleta (ICOMOS, 2011)\nintensificam a abrang\u00eancia comunit\u00e1ria como essencial ao tratar de normativas e\norienta\u00e7\u00f5es patrimoniais. Essa evolu\u00e7\u00e3o de uma teoria mais participativa \u00e9\nnot\u00f3ria, mas ser\u00e1 que na pr\u00e1tica de gest\u00e3o os mesmos princ\u00edpios s\u00e3o\naplicados?&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p style=\"font-size:18px\">Pesquisas de campo aplicadas pelas autoras e por\noutros membros do Projeto Mem\u00f3ria Ferrovi\u00e1ria em patrim\u00f4nios industriais\nferrovi\u00e1rios nas cidades de Campinas, Valinhos e Vinhedo permitiram uma an\u00e1lise\nde que as a\u00e7\u00f5es pr\u00e1ticas costumam destoar da teoria, pois, a participa\u00e7\u00e3o\nintegrada n\u00e3o recebe a relev\u00e2ncia necess\u00e1ria.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p style=\"font-size:18px\">Os entrevistados foram moradores dessas cidades, mais especificamente, do entorno do patrim\u00f4nio, em sua maioria\nse manifestaram insatisfeitos com a atual gest\u00e3o do patrim\u00f4nio. As maiores\nqueixas relatadas est\u00e3o relacionadas a atual\ngest\u00e3o do local e o n\u00e3o aproveitamento dos espa\u00e7os, de modo a respeitar a mem\u00f3ria e\ninteresse da comunidade, cujo bem protegido est\u00e1\ninserido.&nbsp;Por serem pessoas do entorno e\nque, majoritariamente, tinham rela\u00e7\u00e3o com o\nlocal ficou percept\u00edvel por meio das falas dos\nentrevistados que possuem mem\u00f3rias e identidade com o local, e tamb\u00e9m boas propostas\npara os usos em tempos atuais. <\/p>\n\n\n\n<p style=\"font-size:18px\">Ademais, pelas falas deles\nconseguimos perceber a car\u00eancia nestes locais\nem inserir os moradores do entorno nas iniciativas, conhecimentos e a\u00e7\u00f5es de planejamento patrimonial.\nA n\u00e3o participa\u00e7\u00e3o dos indiv\u00edduos, para\na maioria dos entrevistados n\u00e3o era por falta de\ninteresse, mas justamente por n\u00e3o os inserir \u00e0s pr\u00e1ticas de gest\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p style=\"font-size:18px\">Os relatos possibilitaram a equipe a chegar na\nconclus\u00e3o &nbsp;de\nque as pr\u00e1ticas de participa\u00e7\u00e3o da comunidade\nem iniciativas de gest\u00e3o do patrim\u00f4nio s\u00e3o quase\nnulas, de forma que n\u00e3o seguem de fato a teoria das cartas patrimoniais mais\nrecentes (Carta de Burra, ICOMOS-Austr\u00e1lia, 2013, exemplarmente), que estimulam e direcionam \u00e0 a\u00e7\u00f5es participativas\nconsiderando, tamb\u00e9m, a comunidade do entorno ao bem.\nIsto \u00e9, a import\u00e2ncia que se d\u00e1 para popula\u00e7\u00e3o e comunidade s\u00f3 acontece nos discursos,\npois na pr\u00e1tica a realidade \u00e9 outra. <\/p>\n\n\n\n<p style=\"font-size:18px\">Sabemos que a gest\u00e3o de um patrim\u00f4nio de forma que respeite e atenda interesses m\u00fatuos n\u00e3o \u00e9 algo f\u00e1cil e n\u00e3o possui um manual de como ser feito, porque cada local possui sua originalidade. Contudo, o que enfatizamos \u00e9 a necessidade de inserir e ouvir a comunidade na qual o patrim\u00f4nio est\u00e1 estabelecido, porque, afinal, a constitui\u00e7\u00e3o dele se deu atrav\u00e9s de pessoas e suas rela\u00e7\u00f5es socioculturais e \u00e9 por meio dessas associa\u00e7\u00f5es entre indiv\u00edduos que constru\u00edram o que se entende como patrim\u00f4nio. Para al\u00e9m da valora\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica do bem patrimonial, reconhecemos o seu valor social e que por esse valor as pessoas atribuem sentido e import\u00e2ncia ao patrim\u00f4nio que merecem ser compreendidas.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Refer\u00eancias<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>CORDEIRO, Jos\u00e9 Manuel Lopes. Desindustrializa\u00e7\u00e3o\ne salvaguarda do patrim\u00f4nio industrial: problema ou oportunidade? <strong>Oculum Ensaios<\/strong>: <strong>Revista de arquitetura e urbanismo<\/strong>, n. 13, p. 154\u2013165, 2011.\nDispon\u00edvel em:\n&lt;http:\/\/periodicos.puccampinas.edu.br\/seer\/index.php\/oculum\/article\/view\/147&gt;.\nAcesso em: 16 jun. 2020.<\/p>\n\n\n\n<p>ICOMOS. <strong>Carta de Burra<\/strong>. Austr\u00e1lia. 2013. Dispon\u00edvel em:\n&lt;https:\/\/www.icomos.org\/en\/resources\/charters-and-texts&gt;. Acesso em: 16\njun. 2020.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;ICOMOS. <strong>Princ\u00edpios de La Valletta para a Salvaguarda e Gest\u00e3o de Cidades e\nConjuntos Urbanos Hist\u00f3ricos<\/strong>. Paris. Novembro de 2011. Dispon\u00edvel em:\n&lt;https:\/\/www.icomos.org\/en\/resources\/charters-and-texts&gt;. Acesso em: 16\njun. 2020.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>ICOMOS-TICCIH. <strong>Princ\u00edpios de Dublin<\/strong>. 28 de novembro de 2011. Dispon\u00edvel em:\n&lt;https:\/\/ticcihbrasil.com.br\/cartas\/os-principios-de-dublin\/&gt;. Acesso em:\n16 jun.2020.<\/p>\n\n\n\n<p>ICOMOS. <strong>Carta de Veneza<\/strong>. Veneza. 1964. Dispon\u00edvel em:\n&lt;https:\/\/www.icomos.org\/en\/resources\/charters-and-texts&gt;. Acesso em: 16\njun. 2020.<\/p>\n\n\n\n<p>TICCIH. <strong>Carta de Nizhny Tagil<\/strong>. 17 de julho de 2003. Dispon\u00edvel em:\n&lt;https:\/\/ticcihbrasil.com.br\/cartas\/carta-de-nizhny-tagil-sobre-o-patrimonio-industrial\/&gt;.\nAcesso em: 16 jun..2020.<\/p>\n\n\n\n<p style=\"font-size:18px\"><a href=\"http:\/\/lattes.cnpq.br\/9904566512509078\">Amanda Augusta da Costa <\/a><\/p>\n\n\n\n<p style=\"font-size:18px\"><a href=\"http:\/\/lattes.cnpq.br\/7907865389317698\">Brenda Let\u00edcia Lichewiski dos Santos<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>Como Citar<\/p>\n\n\n\n<p style=\"font-size:18px\">COSTA, A. A da; SANTOS, B. L. L dos. Rela\u00e7\u00e3o entre comunidade e o patrim\u00f4nio: o discurso e a pr\u00e1tica. <strong>Projeto Mem\u00f3ria Ferroviaria<\/strong>, 2020. Dispon\u00edvel em: https:\/\/memoriaferroviaria.rosana.unesp.br\/?p=3837<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O tema comunidade e patrim\u00f4nio contempla alguns contextos interessantes de se compreender e de discutir. Discursos conhecidos como tradicionais amplamente abordados em normativas e diretrizes de preserva\u00e7\u00e3o e trato patrimonial permitem reflex\u00f5es. 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