{"id":3859,"date":"2020-10-15T16:52:04","date_gmt":"2020-10-15T19:52:04","guid":{"rendered":"https:\/\/memoriaferroviaria.rosana.unesp.br\/?p=3859"},"modified":"2020-10-15T16:52:07","modified_gmt":"2020-10-15T19:52:07","slug":"dia-do-professor","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/memoriaferroviaria.assis.unesp.br\/?p=3859","title":{"rendered":"Dia do Professor"},"content":{"rendered":"\n<p style=\"font-size:18px\">Em comemora\u00e7\u00e3o ao dia do Professor, 15\nde outubro, convidamos ao Professor Doutor e coordenador do projeto Mem\u00f3ria\nFerrovi\u00e1ria, Eduardo Romero de Oliveira a nos informar sobre a pr\u00e1tica da\nprofiss\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p style=\"font-size:18px\">Primeiramente sobre sua forma\u00e7\u00e3o\nenquanto professor ele nos diz:<\/p>\n\n\n\n<p style=\"font-size:18px\"><em>\u201cFiz a gradua\u00e7\u00e3o no\ncurso de Hist\u00f3ria da Unicamp, onde tamb\u00e9m havia a capacita\u00e7\u00e3o em licenciatura.\nV\u00e1rios colegas continuaram a carreira como professores do ensino m\u00e9dio, mas\ncomo eu pretendia atuar como professor do ensino superior, a p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o\n(mestrado) era essencial. Ainda durante o mestrado foi que iniciei como\nprofessor universit\u00e1rio substituto na Universidade Estadual de Londrina (1992).\nOutras oportunidades vieram nos anos seguintes, tanto em universidades privadas\nquanto p\u00fablicas &#8211; apesar de haver poucos concursos de ingresso na d\u00e9cada de\n1990<\/em><em>.\u201d<\/em><\/p>\n\n\n\n<p style=\"font-size:18px\">Quando questionado sobre as formas\npara melhorar a sua pratica pedag\u00f3gica ele explica que <em>\u201cPara\no ensino infantil t\u00ednhamos as disciplinas pedag\u00f3gicas durante a gradua\u00e7\u00e3o, mas\npara o ensino superior o requisito era a titula\u00e7\u00e3o (mestre e doutor). Portanto,\nus\u00e1vamos os mesmos recursos did\u00e1ticos ou atu\u00e1vamos como conferencistas de temas\nespec\u00edficos \u2013 infelizmente isso era comum. O modelo de grupos de estudos (com\ngrupos de discuss\u00f5es, leituras de textos e debates constantes) era muito\nestimulado de aula de gradua\u00e7\u00e3o nas humanidades em meados dos anos 1980\n(per\u00edodo de redemocratiza\u00e7\u00e3o do pa\u00eds). N\u00e3o por op\u00e7\u00e3o construtivista, mas\npol\u00edtica. O aprimoramento da pr\u00e1tica pedag\u00f3gica veio quanto as oportunidades\ndoc\u00eancia superior se consolidaram. E discutir o papel da universidade p\u00fablica e\nsua conjuga\u00e7\u00e3o com a pesquisa cient\u00edfica s\u00e3o parte desse aprimoramento\u201d. <\/em>Ele tamb\u00e9m\nrecomenda <em>\u201cA universidade no s\u00e9culo XXI\u201d\n(2004), de Boaventura dos Santos, como um texto que conjuga estes pontos do\ndebate\u201d.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p style=\"font-size:18px\">Assim, sobre a experi\u00eancia de participar\nda forma\u00e7\u00e3o de tantos profissionais e pesquisadores ele nos conta que <em>\u201c\u00c9 uma satisfa\u00e7\u00e3o muito grande, poder\nacompanhar a forma\u00e7\u00e3o desses profissionais. Ver como eles ingressam e tateiam\nnos primeiros anos de gradua\u00e7\u00e3o, at\u00e9 chegarem a uma titula\u00e7\u00e3o equivalente a\nn\u00f3s. Enxerga-se claramente as consequ\u00eancias e responsabilidades da educa\u00e7\u00e3o a\nm\u00e9dio e longo prazo (uma d\u00e9cada ou mais). Isso ocorre tamb\u00e9m nos outros n\u00edveis\nde ensino (fundamental e m\u00e9dio), mas nem sempre o mesmo professor acompanha\nesse processo. Isso personaliza o bom (ou maus) resultados de uma forma\u00e7\u00e3o\neducacional; v\u00ea as consequ\u00eancias na vida de outra pessoa\u201d. <\/em>Assegura tamb\u00e9m\nque essa intera\u00e7\u00e3o <em>\u201cdeixa claro o quanto\npodemos ajudar a dar melhores condi\u00e7\u00f5es de vida aquelas pessoas. Tratar isso\ncom descaso \u2013 por parte dos respons\u00e1veis por pol\u00edticas p\u00fablicas educacionais,\nda institui\u00e7\u00e3o de ensino \u2013 \u00e9 realmente uma insensibilidade para com a dignidade\nhumana\u201d.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p style=\"font-size:18px\">Sobre a oportunidade e experi\u00eancia de\ncoordenar estudantes de diferentes n\u00edveis de ensino (gradua\u00e7\u00e3o, mestrado e\ndoutorado) o Prof.Dr.Oliveira explica que:<\/p>\n\n\n\n<p style=\"font-size:18px\"><em>&nbsp;\u201cA vontade de conhecer \u00e9 o que nos coloca juntos, ainda que\npor anseios profissionais diversos. Partimos de temas espec\u00edficos para\naprimorar o conhecimento: a hist\u00f3ria ferrovi\u00e1ria e patrim\u00f4nio ferrovi\u00e1rio. Cada\nestudante tem um interesse pessoal, uma curiosidade, que o aprendizado do tema\npode permitir satisfazer\u201d.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p style=\"font-size:18px\">Ele tamb\u00e9m explica que procura ajudar\nos alunos a<em> \u201cdescobrir esse prazer no aprendizado. Eu\ntenho a impress\u00e3o que isso foi um pouco apagado ao longo dos anos. Prazer em\nler e escrever; aquela curiosidade de crian\u00e7a, de descobrir o mundo em que\nvive. De acordo com o n\u00edvel de aprendizado, tem necessidades te\u00f3ricas ou\nmetodol\u00f3gicas pr\u00f3prias. \u00c9 quando atuamos mais na forma\u00e7\u00e3o em pesquisa\ncient\u00edfica. \u00c9 quando ensinamos a fazer as perguntas (mais ou menos) certas para\nas resposta que queremos obter. Ao mesmo tempo, conforme cada um descobre algo,\nreflete a respeito do que leu, tamb\u00e9m me traz novidades (de informa\u00e7\u00e3o ou de\nideias). Assim, n\u00e3o h\u00e1 uma simples divis\u00e3o entre quem sabe e quem n\u00e3o sabe, mas\nentre o que se sabe ou n\u00e3o a respeito de um assunto ou objeto de estudo. E o\nprazer no aprendizado se torna m\u00fatuo\u201d.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p style=\"font-size:18px\">Ao ser questionado sobre como foi o\nprocesso de se adaptar ao formato de ensino virtual durante a pandemia ele nos\nrelata que <em>\u201cfoi uma oportunidade para\naprender novas tecnologias de aprendizagem. Coordenei, junto com um professor\nque j\u00e1 atuava no n\u00facleo de pr\u00e1ticas pedag\u00f3gicas da UNESP, um curso de\ntecnologias de aprendizagem em abril. Foi uma a\u00e7\u00e3o interna do grupo de\nprofessores do campus de Rosana, com apoio da UNESP, para capacitarmos \u00e0\nsitua\u00e7\u00e3o, o impacto do isolamento social na educa\u00e7\u00e3o e tamb\u00e9m discutir pr\u00e1ticas\npedag\u00f3gicas. Percebemos a necessidade de repensar a forma de ensino em fun\u00e7\u00e3o\ndas disponibilidades oferecidas. Isso levou \u00e0 ado\u00e7\u00e3o de uma proposta que fiz,\nde &#8220;cursos livres&#8221;, de realizar momentos de aprendizagem sobre algum\ntema. Dali surgiu a ideia de um curso sobre patrim\u00f4nio cultural e direitos\nhumanos, aberto a qualquer aluno de gradua\u00e7\u00e3o (alunos da Venezuela\nparticiparam), em que se discutisse direitos b\u00e1sicos (educa\u00e7\u00e3o, sa\u00fade, cultura)\nno contexto atual\u201d.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p style=\"font-size:18px\">E finalmente sobre o exerc\u00edcio da\nprofiss\u00e3o em um cen\u00e1rio p\u00f3s-pand\u00eamico ele comenta que: <\/p>\n\n\n\n<p style=\"font-size:18px\"><em>\u201cFicou claro que as defici\u00eancias na educa\u00e7\u00e3o eram maiores do que se acreditava: o acesso ao material de ensino; o dom\u00ednio das ferramentas tecnol\u00f3gicas ou infraestrutura digital (computadores, internet); as pr\u00e1ticas pedag\u00f3gicas implementadas rotineiramente na sala de aula, mesmo numa universidade como a UNESP, em S\u00e3o Paulo, ainda s\u00e3o prec\u00e1rias. A pandemia (com a exig\u00eancia de distanciamento social e ensino remoto) exp\u00f4s muitas mazelas do dia-a-dia. Acreditava-se que estar\u00edamos num futuro de alta tecnologia, neste s\u00e9culo XXI, mas est\u00e1 se usando o r\u00e1dio para chegar a alunos que vivem em comunidades sem acesso amplo \u00e0 comunica\u00e7\u00e3o, tanto no Brasil quanto na \u00cdndia. Com exemplos diferentes, isso tem acontecido tamb\u00e9m nos EUA e pa\u00edses da Europa (como Portugal). Em sociedades contempor\u00e2neas baseadas cada vez mais em conhecimento (inclusive para acesso \u00e0 melhores condi\u00e7\u00f5es de vida), o acesso ao conhecimento n\u00e3o \u00e9 universal. Isso indica o alto risco de desigualdade social que ir\u00e1 incorrerer num futuro pr\u00f3ximo se n\u00e3o buscarmos a universalidade da educa\u00e7\u00e3o. Nesta sociedade do conhecimento, o professor \u00e9 absolutamente fundamental\u201d.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p style=\"font-size:18px\">Entrevistado: Prof. Dr. <a href=\"http:\/\/lattes.cnpq.br\/6385564645445607\">Eduardo Romero de Oliveira<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em comemora\u00e7\u00e3o ao dia do Professor, 15 de outubro, convidamos ao Professor Doutor e coordenador do projeto Mem\u00f3ria Ferrovi\u00e1ria, Eduardo Romero de Oliveira a nos informar sobre a pr\u00e1tica da profiss\u00e3o. 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