{"id":4043,"date":"2021-07-10T10:10:03","date_gmt":"2021-07-10T13:10:03","guid":{"rendered":"https:\/\/memoriaferroviaria.rosana.unesp.br\/?p=4043"},"modified":"2021-07-10T10:11:13","modified_gmt":"2021-07-10T13:11:13","slug":"o-conceito-de-paisagem-como-ferramenta-de-protecao-dos-sistemas-ferroviarios","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/memoriaferroviaria.assis.unesp.br\/?p=4043","title":{"rendered":"O conceito de paisagem como ferramenta de prote\u00e7\u00e3o dos sistemas ferrovi\u00e1rios"},"content":{"rendered":"\n<p style=\"font-size:18px\">A patrimonializa\u00e7\u00e3o \u00e9 a medida legal de proteger um objeto f\u00edsico ou aspecto simb\u00f3lico de import\u00e2ncia hist\u00f3rica, cultural, social, econ\u00f4mica, natural e outras, de uma na\u00e7\u00e3o ou povo. A estes bens patrimoniais protegidos s\u00e3o atribu\u00eddos valor ou valores que ultrapassam os cria\u00e7\u00e3o ou desenvolvimento original e \u00e9 perpetuado sua valora\u00e7\u00e3o na sociedade. Das mais variadas tipologias patrimoniais, o patrim\u00f4nio industrial segundo as considera\u00e7\u00f5es da Carta de Nizhny Tagil sobre o Patrim\u00f4nio Industrial elaborada pelo <em>The International Committee for the Conservation of Industrial Heritage<\/em> (TICCIH) em junho de 2003, tem como objetivo firmar os edif\u00edcios, estruturas, processos, utens\u00edlios, localidades, paisagens e manifesta\u00e7\u00f5es tang\u00edveis e intang\u00edveis desenvolvidas em fun\u00e7\u00e3o das atividades industriais. Neste contexto, se analisa que o transporte ferrovi\u00e1rio \u00e9 uma atividade de car\u00e1ter industrial, em fun\u00e7\u00e3o do seu desenvolvimento estar atrelado a necessidade de escoamento de produ\u00e7\u00f5es industriais no s\u00e9culo XVIII (ARQUIVO P\u00daBLICO E HIST\u00d3RICO DE RIO CLARO, 2015).&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p style=\"font-size:18px\">Com a significativa diminui\u00e7\u00e3o do uso do transporte ferrovi\u00e1rio observou a inten\u00e7\u00e3o de preservar os remanescentes desta atividade, ao passo que seu abandono ocasionou perdas em suas estruturas f\u00edsicas e simb\u00f3licas. Entretanto, no cen\u00e1rio brasileiro foi observado por Moraes (2016) que o \u00f3rg\u00e3o de preserva\u00e7\u00e3o patrimonial, Conselho de Defesa do Patrim\u00f4nio Hist\u00f3rico, Arqueol\u00f3gico, Art\u00edstico e Tur\u00edstico do Estado de S\u00e3o Paulo (CONDEPHAAT) direciona os tombamentos a bens isolados dos sistemas ferrovi\u00e1rios, as esta\u00e7\u00f5es ferrovi\u00e1rias. Por\u00e9m, como apontado na Carta de Nizhny Tagil o patrim\u00f4nio industrial \u00e9 formado por um conjunto maior de elementos, devendo ser considerado toda sua composi\u00e7\u00e3o f\u00edsica e simb\u00f3lica nas prote\u00e7\u00f5es.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p style=\"font-size:18px\">Neste sentido, considera os conceitos te\u00f3ricos e metodol\u00f3gicos da paisagem cultural importante ferramenta na preserva\u00e7\u00e3o do patrim\u00f4nio ferrovi\u00e1rio, considerando que a preserva\u00e7\u00e3o da atividade industrial pela perspectiva da paisagem abrangera toda sua dimens\u00e3o f\u00edsica e simb\u00f3lica. Documentos como a Recomenda\u00e7\u00e3o Paris Paisagens e S\u00edtios (1962), a Recomenda\u00e7\u00e3o Europa (1995) e a Conven\u00e7\u00e3o Europeia da Paisagem (2000), definem que a paisagem cultural \u00e9 formada pela intera\u00e7\u00e3o e rela\u00e7\u00e3o entre natureza e humanidade. \u00c9 neste ponto que considera que deva ser considerado todos os elementos f\u00edsicos e simb\u00f3licos que compreendem uma paisagem, que nesta discuss\u00e3o se remete aos sistemas ferrovi\u00e1rios. Ferrari (2011) compreende que um sistema ferrovi\u00e1rio \u00e9 constitu\u00eddo de estruturas edificadas, esta\u00e7\u00f5es e vias, que em conjunto garantem seu funcionamento. J\u00e1 Oliveira (2018) considera que nos sistemas ferrovi\u00e1rios al\u00e9m dos elementos constru\u00eddos que garantem seu funcionamento, a dimens\u00e3o simb\u00f3lica (pessoas) tamb\u00e9m o compreende. Neste sentido, entende que a identifica\u00e7\u00e3o\/revis\u00e3o, an\u00e1lise e gest\u00e3o patrimonial devem ser feitas por meio dos conceitos te\u00f3ricos e metodol\u00f3gicos da paisagem cultural, pois desta maneira ser\u00e1 poss\u00edvel verificar elementos f\u00edsicos e simb\u00f3licos que garantem sua forma\u00e7\u00e3o e desenvolvimento. Neste sentido, a ferramenta de Sistema de Informa\u00e7\u00e3o Geogr\u00e1fica (SIG) tem sido observada como um importante aliado em estudos paisag\u00edsticos, \u00e9 por meio dela que podem ser armazenados, arquivados e administrados dados que tenham relev\u00e2ncia no planejamento (LANG; BLASCHKE, 2009).<\/p>\n\n\n\n<p style=\"font-size:18px\">Com as considera\u00e7\u00f5es que a paisagem cultural \u00e9 formada pelas rela\u00e7\u00f5es entre homem e natureza e que, portanto, os estudos sobre paisagem devem compreend\u00ea-la em suas dimens\u00f5es f\u00edsicas e simb\u00f3licas, sendo comum encontrar dificuldades no que se refere a aferi\u00e7\u00e3o de sua dimens\u00e3o simb\u00f3lica. Quando se fala em dimens\u00e3o f\u00edsica est\u00e1 se referindo as estruturas e espa\u00e7os ferrovi\u00e1rios que podem ser identificados por uma observa\u00e7\u00e3o, tanto espacial quanto local, podendo ser realizado o invent\u00e1rio paisag\u00edstico de todos os elementos f\u00edsicos que configuram os sistemas ferrovi\u00e1rios e que n\u00e3o est\u00e3o inseridos nas prote\u00e7\u00f5es jur\u00eddicas. Por\u00e9m, quando se remete a dimens\u00e3o simb\u00f3lica da paisagem&nbsp; alguns desafios s\u00e3o enfrentados em seu processo de identifica\u00e7\u00e3o. Nesta dimens\u00e3o a aten\u00e7\u00e3o se destinada a mem\u00f3ria ferrovi\u00e1ria, desse modo, deve buscar a mem\u00f3ria das pessoas que viveram e vivenciam a paisagem ferrovi\u00e1ria. Por\u00e9m como fazer a identifica\u00e7\u00e3o desta mem\u00f3ria e an\u00e1lise? O relato oral \u00e9 uma ferramenta com potencial quando se trata da mem\u00f3ria na dimens\u00e3o simb\u00f3lica da paisagem. Segundo Silva (2019) a metodologia de Abordagem e Valoriza\u00e7\u00e3o do Patrim\u00f4nio) \u00e9 uma grande ferramenta neste processo, pois com este \u00e9 poss\u00edvel identificar valores atribu\u00eddos pela comunidade ao patrim\u00f4nio ferrovi\u00e1rio, auxiliando em sua preserva\u00e7\u00e3o e gest\u00e3o. Desse modo, considera que a prote\u00e7\u00e3o isolada dos remanescentes da atividade ferrovi\u00e1ria e seu entorno s\u00e3o insuficientes para sua prote\u00e7\u00e3o. Portanto, as prote\u00e7\u00f5es devem seguir as diretrizes estabelecidas no conceito de paisagem, considerando sua dimens\u00e3o f\u00edsica e simb\u00f3lica.&nbsp;<br><\/p>\n\n\n\n<p><strong>REFER\u00caNCIAS&nbsp;<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p style=\"font-size:18px\">CONSELHO EUROPA. <strong>Conven\u00e7\u00e3o europeia da paisagem.<\/strong> Floren\u00e7a: 2000. Dispon\u00edvel em:&lt;<a href=\"https:\/\/rm.coe.int\/16802f3fb7\">https:\/\/rm.coe.int\/16802f3fb7<\/a>&gt;. Acesso em: 26 jan. 2021.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p style=\"font-size:18px\">FERRARI, M. El sistema ferroviario en el noroeste argentino. Arquitectura e instalaciones&nbsp; complementarias. Apuntes. <strong>Revista de estudios sobre patrimonio cultural<\/strong>, v. 24, n. 1, p. 44\u201361,&nbsp; 2011.<\/p>\n\n\n\n<p style=\"font-size:18px\">IPHAN. <strong>Recomenda\u00e7\u00e3o Europa<\/strong>. 1995. Dispon\u00edvel em: &lt;<a href=\"http:\/\/portal.iphan.gov.br\/uploads\/ckfinder\/arquivos\/Recomendacao%20Europa%201995.pdf\">http:\/\/portal.iphan.gov.br\/uploads\/ckfinder\/arquivos\/Recomendacao%20Europa%201995.pdf<\/a>&gt;. Acesso em: 26 jan. 2021.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p style=\"font-size:18px\">IPHAN. <strong>Recomenda\u00e7\u00e3o Paris Paisagens e S\u00edtios<\/strong>. Paris, 1962. Dispon\u00edvel em: &lt;<a href=\"http:\/\/portal.iphan.gov.br\/uploads\/ckfinder\/arquivos\/Recomendacao%20de%20Paris%201964.pdf\">http:\/\/portal.iphan.gov.br\/uploads\/ckfinder\/arquivos\/Recomendacao%20de%20Paris%201964.pdf<\/a>&gt;. Acesso em 26 jan. 2021.<\/p>\n\n\n\n<p style=\"font-size:18px\">LANG, Stefan; BLASCHKE, Thomas. <strong>An\u00e1lise da paisagem com SIG<\/strong>. S\u00e3o Paulo: Oficina de Textos, 2009.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p style=\"font-size:18px\">MORAES, Ewerton Henrique. <strong>Os bens ferrovi\u00e1rios nos tombamentos do Estado de S\u00e3o Paulo (1969 \u2013 1984)<\/strong>. Bauru, 2016. 191 f. Disserta\u00e7\u00e3o (Mestrado) &#8211; Curso de Mestrado em Arquitetura e Urbanismo, Faculdade de Arquitetura, Artes e Comunica\u00e7\u00e3o (FAAC), Universidade Estadual Paulista (UNESP), 2016.<br><\/p>\n\n\n\n<p style=\"font-size:18px\">OLIVEIRA, E. R. DE. O patrim\u00f4nio do transporte ferrovi\u00e1rio no Brasil: contribui\u00e7\u00f5es da arqueologia&nbsp; industrial ao registro e preserva\u00e7\u00e3o do sistema ferrovi\u00e1rio. <strong>Revista de Arqueologia Americana<\/strong>, n.36, p.45\u201384, 2018.<br><\/p>\n\n\n\n<p style=\"font-size:18px\">RIO CLARO (MUNIC\u00cdPIO). Arquivo P\u00fablico e Hist\u00f3rico de Rio Claro. <strong>Trilhos e eucaliptos<\/strong>: a ferrovia e a Floresta em Rio Claro. HENRIQUES, Amilson Barbosa; CAMPOS, Maria Teresa de Arruda; LUZ, Milton Jos\u00e9 Hussni Machado (org.). Rio Claro (SP): Ph\u00e1brica de Produ\u00e7\u00f5es, 2015.<br><\/p>\n\n\n\n<p style=\"font-size:18px\">SILVA, Milena Meira da. <strong>Paisagem industrial do Complexo FEPASA (Jundia\u00ed-SP)<\/strong>: avalia\u00e7\u00e3o dos usos atribu\u00eddos ao patrim\u00f4nio ferrovi\u00e1rio. 2019. 215 f. Disserta\u00e7\u00e3o (Mestrado) \u2013 Universidade Estadual Paulista, Faculdade de Arquitetura, Artes e Comunica\u00e7\u00e3o, Bauru, 2019.<br><\/p>\n\n\n\n<p style=\"font-size:18px\">TICCIH. <strong>Carta de Nizhny Tagil<\/strong>. 2003. MENEGUELLO, Cristina (trad). Dispon\u00edvel em: &lt;<a href=\"https:\/\/www.redalyc.org\/pdf\/3517\/351732195011.pdf\">https:\/\/www.redalyc.org\/pdf\/3517\/351732195011.pdf<\/a>&gt;. Acesso em: 03 abr. 2021.&nbsp;<br><\/p>\n\n\n\n<p style=\"font-size:18px\"><a href=\"http:\/\/lattes.cnpq.br\/4445143830684662\">Ana Paula Marques Gon\u00e7alve<\/a>s<\/p>\n\n\n\n<p>Como citar:<\/p>\n\n\n\n<p style=\"font-size:18px\">GON\u00c7ALVES, A. P. M. O conceito de paisagem como ferramenta de prote\u00e7\u00e3o dos sistemas ferrovi\u00e1rios. <strong>Projeto Mem\u00f3ria Ferroviaria<\/strong>, 2021. Dispon\u00edvel em: https:\/\/memoriaferroviaria.rosana.unesp.br\/?p=4043<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A patrimonializa\u00e7\u00e3o \u00e9 a medida legal de proteger um objeto f\u00edsico ou aspecto simb\u00f3lico de import\u00e2ncia hist\u00f3rica, cultural, social, econ\u00f4mica, natural e outras, de uma na\u00e7\u00e3o ou povo. A estes bens patrimoniais protegidos s\u00e3o atribu\u00eddos valor ou valores que ultrapassam os cria\u00e7\u00e3o ou desenvolvimento original e \u00e9 perpetuado sua valora\u00e7\u00e3o<a class=\"more-link\" href=\"https:\/\/memoriaferroviaria.assis.unesp.br\/?p=4043\">Read More &rarr;<\/a><\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":4044,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_exactmetrics_skip_tracking":false,"_exactmetrics_sitenote_active":false,"_exactmetrics_sitenote_note":"","_exactmetrics_sitenote_category":0,"footnotes":""},"categories":[20],"tags":[748,283,299,327,750,749],"class_list":{"0":"entry","1":"post","2":"publish","3":"author-evandro","4":"post-4043","6":"format-standard","7":"has-post-thumbnail","8":"category-noticias","9":"post_tag-paisagem","10":"post_tag-paisagem-industrial","11":"post_tag-patrimonio-ferroviario","12":"post_tag-projeto-memoria-ferroviaria","13":"post_tag-protecao","14":"post_tag-sistemas-ferroviarios"},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/memoriaferroviaria.assis.unesp.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/4043","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/memoriaferroviaria.assis.unesp.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/memoriaferroviaria.assis.unesp.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/memoriaferroviaria.assis.unesp.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/memoriaferroviaria.assis.unesp.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=4043"}],"version-history":[{"count":3,"href":"https:\/\/memoriaferroviaria.assis.unesp.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/4043\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":4051,"href":"https:\/\/memoriaferroviaria.assis.unesp.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/4043\/revisions\/4051"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/memoriaferroviaria.assis.unesp.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/4044"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/memoriaferroviaria.assis.unesp.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=4043"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/memoriaferroviaria.assis.unesp.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=4043"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/memoriaferroviaria.assis.unesp.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=4043"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}